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Presidente dos Correios reafirma crise e apresenta propostas para a empresa

O presidente dos Correios, Guilherme Campos, apresentou, nesta quinta-feira (6), em debate na Câmara, um panorama das dificuldades econômicas da empresa e elencou propostas para tentar resolver os problemas encontrados.

Segundo ele, os Correios, com 117 mil funcionários e presente em todo o País, apresentaram deficits desde 2010. A empresa teve um prejuízo de R$ 4 bilhões nos últimos dois anos, está fechando agências e pretende cortar benefícios dos funcionários.

A crise financeira dos Correios foi tema de audiência pública da Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia. A reunião foi acompanhada por um grande número de funcionários dos Correios e teve a presença de sindicalistas, que ameaçaram com uma greve geral, caso não sejam implantadas soluções para a crise.

Concorrência da internet
Guilherme Campos atribuiu parte do problema à tendência mundial de diminuição no número de entregas de correspondências. Essa queda é atribuída à Internet.

A entrega de correspondências é justamente o setor em que os Correios detêm o monopólio no Brasil. Já na outra parte do serviço, que é a entrega de encomendas, os Correios têm concorrência de empresas privadas.

Antecipação de dividendos
Guilherme Campos elencou outros fatores que explicam os sucessivos deficits da empresa, entre os quais a retirada de quase R$ 6 bilhões do caixa pelo governo federal, entre 2007 e 2013, a título de antecipação de dividendos.

"A retirada desse caixa comprometeu demais os investimentos e as possibilidades de transformações e mudanças necessárias na empresa. Tivemos dois anos com números muito comprometedores: 2015, com prejuízo de R$ 2,1 bilhões, e 2016, com prejuízo da ordem de R$ 2 bilhões", disse.

Além disso, segundo Campos, quase 70% da arrecadação dos Correios são apenas para o pagamento de pessoal.

Férias e plano de saúde
Guilherme Campos apresentou o plano da empresa para reduzir esses custos. Entre as medidas está a suspensão das férias por um ano, um plano de desligamento voluntário e o corte de gratificações de chefia.

Mas o que mais causou revolta entre os funcionários foi o anúncio de corte do desembolso com o plano de saúde, que representou R$ 1,6 bilhão do prejuízo de R$ 2,1 bilhões que os Correios tiveram no ano passado.

O sistema funciona da seguinte maneira: os Correios entram com 93% do custo, e os funcionários com 7%. O plano atende toda a família dos servidores, inclusive aposentados, pais e mães.

"Modelo insustentável"
Guilherme Campos classificou o modelo do plano de saúde como insustentável e está tentando negociar o corte na Justiça do Trabalho. “É o único plano de saúde que eu conheço que tem essa dimensão. Foi construído ao longo do tempo, em um cenário em que a situação dos Correios conseguiam pagar. Hoje, com a queda do monopólio e a concorrência no serviço de encomenda, a empresa não consegue mais”, disse.

Em relação ao plano de saúde, a proposta dos Correios é financiar apenas as despesas dos funcionários e não de seus dependentes. Como contrapartida, a empresa oferece destinar 15% dos lucros para ajudar a abater o custeio do plano de saúde do trabalhador.

Sem privatização
Guilherme Campos disse que não é intenção do governo privatizar a empresa, mas deixou claro que é preciso mudar a forma de atuação para priorizar o setor de logística, que tem muito mercado hoje. Segundo ele, essa mudança deveria ter sido feita dez anos atrás.

O deputado Angelim (PT-AC), autor do pedido de audiência pública, anunciou que vai protocolar um pedido de criação de uma comissão especial para tratar da crise dos Correios.

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